O Interledger, o Ripple e o XRP

xrp

 

Continuando a nossa série sobre a internet dos valores, vamos discutir o papel das criptomoedas nos esquemas de pagamentos descentralizados do futuro.

No nosso post anterior explicamos em linhas gerais como funciona um pagamento usando o Interledger (ILP), nesse post vamos entender como o ILP e o XRP podem se complementar.

O ILP, como já visto, pode trazer para o nível da internet dos valores todos os livros-razão digitais existentes no mundo, inclusive os sistemas legados bancários, o que implica um grande número de mercados diferentes buscando interoperabilidade, que poderiam ser atendidos par a par ou usando pagamentos que passam por mais de um sistema. Por exemplo, se tivermos 3 sistemas, A, B e C, serão necessários 3 conexões bidirecionais que permitam que os valores transitem entre A e B, B e C e A e C.

A quantidade de conectores – provedores de liquidez entre dois livros-razão – necessários para atender todos os pares de livros-razão depende da interoperabilidade entre eles e de quantas “pernas” um pagamento pode ter. No caso acima, 3 conectores seriam necessários para criar conexões individuais para cada par de livros-razão, mas se um pagamento puder usar duas etapas, pasando por 2 conectores, esse número se reduziria para 2 e o conector A <> C poderia ser suprimido em um pagamento A > B >C. Nesse caso seriam necessários apenas os conectores A <> B e B <> C. Veja na figura abaixo, onde A é um sistema em BRL, B em USD e C em EUR. C1, C2 e C3 são os conectores entre esses sistemas:

ILP - Conectores

 

Vejam que BRL pode ser trocado por EUR mesmo que não haja uma conexão direta entre os dois sistemas, pois um mesmo pagamento pode usar dois conectores. Nesse caso o sistema USD foi a “ponte” entre BRL e EUR.

Atualmente existem milhares de bancos e empresas de pagamentos que mantêm sistemas contábeis com saldos de usuários que poderão se conectar através do Ripple e do Interledger, o que produz uma quantidade incrível de mercados e aumenta a necessidade de conectores e sistemas que sirvam de “ponte” entre mercados que não estejam diretamente ligados um ao outro. Uma rede como essa poderia parecer como a figura abaixo, onde alguns sistemas principais exercem a função de ponte (seta vermelha):

201101241712

Isso diminuiria muito o número necessário de conectores e moedas para interligar todos os mercados da rede.

Acreditamos que essa função será exercida no futuro por 2 tipos principais de sistemas:

1 – Grandes bancos que hoje exercem a função de Bancos Correspondentes.

Citi, JPMorgan, Barclays, Deutsche Bank, Westpac, HSBC, etc. Estes bancos concentrariam contas de conectores da mesma maneira como ocorre hoje, mudando apenas a maneira de liquidar as transações.

2 – Grandes sistemas descentralizados que possuem um “Ativo Digital sem Contraparte” (DCA do inglês Digital Counterpartyless Asset).

Hoje os maiores exemplos de DCAs são o bitcoin, o ether e o ripple (XRP).

No caso 1, um pagamento Interledger poderia usar um sistema de um grande banco custodiante de USD, onde muitos conectores de diversas localidades possuem contas. Vamos chamar o sistema de “BANK”. Na figura abaixo, BANK está servindo de sistema ponte entre dois outros sistemas. É necessário que um banco intermedie o pagamento, da mesma maneira como ocorre hoje no sistema de bancos correspondentes, porém com muito mais rapidez e eficiência.

Interledger + Ripple

 

No caso 2, um sistema aberto com um “DCA” ofereceria um “escrow” descentralizado de um ativo sem barreiras de entrada e altamente transferível que oferece algumas vantagens importantes.

Essa é uma das principais inovações trazidas pelas tecnologias de livros-razão distribuídos – a possibilidade de se portar um ativo que não tenha contraparte e circule livremente dentro de um sistema aberto, que pode servir como “moeda comum” em muitos mercados, grandes e pequenos.

Tomando o XRP como um exemplo desse novo tipo de ativo, um pagamento ILP intermediado pelo Ripple poderia manter uma quantia de XRP em um “escrow” garantido por toda a rede, eliminando a necessidade dos conectores confiarem um no outro ou em uma entidade central. Veja as vantagens desse esquema:

  • O “settlement risk”, ou risco de liquidação é praticamente ZERO nessa perna do pagamento, já que a rede ripple funciona unicamente por leis criptográficas e multilateralmente.
  • Elimina a necessidade de se manter contas em em bancos estrangeiros, que muitas vezes são custosas e com muitas barreiras de entrada.
  • Elimina o risco de confisco do dinheiro em “escrow”, visto que não há contraparte administrando o XRP.
  • Por ser uma moeda aberta e que pode ter seu mercado local independentemente de ser usada em pagamentos, o XRP tende a estar presente em muitos mercados, barateando pagamentos que usem corredores exóticos e pouco líquidos.

Um pagamento usando o XRP como moeda e o Ripple como “sistema ponte” funcionaria assim:

Interledger + Ripple (1)

Veja que na figura acima não há nenhuma entidade conectando os dois sistemas centralizados (azuis), sendo necessários apenas os conectores entre os sistemas e o XRP. Veja com mais clareza o impacto de uma moeda comum na interoperabilidade dos sistemas na figura abaixo – o número de mercados diminui consideravelmente:

 

Há também impacto importante no custo geral das operações de pagamento de uma instituição financeira. Segundo um estudo recente feito pela Ripple, o uso de um livro-razão distribuído pode reduzir esse custo em até 33%, com impacto principalmente sobre o custo da liquidez e o custo operacional dos pagamentos:

cost

Quando adicionamos ao esquema um DCA como o XRP, mesmo aumentando os gastos com o hedge de um ativo de alta volatilidade, o custo geral cai ainda mais, chegando a 42% de redução, principalmente pela otimização dos gastos com tesouraria e liquidez:

cost2

Se arriscarmos pensar que os instrumentos para redução da volatilidade serão eficazes, os custos com hedge cairão e os impactos serão ainda maiores.

Portanto, a combinação Interledger + Livros Razão Distribuídos + DCA tem um grande potencial de impacto sobre como transacionamos. Quando estendemos as possibilidades do protocolo Ripple (e de outros como Bitcoin, Ether etc) para emissão de outros tipos de ativos como ações, debêntures e commodities, começamos a aumentar a profundidade do impacto.

Há muito ainda para ser feito até tudo isso se tornar parte do dia a dia da maioria das pessoas, e muitas das tarefas são desafiadoras. Por exemplo, para que que uma moeda atinja o patamar de moeda comum, é necessário que haja liquidez disponível e instrumentos que ajudem a controlar sua volatilidade. Nesse sentido, o XRP contará em breve, segundo a Ripple, com um programa de distribuição (ainda não publicado) premiando aqueles que aumentarem a sua liquidez. A Ripple também fechou um acordo com a Crypto Facilities que criará ferramentas de hedge para o XRP.

No próximo post continuaremos a série “Internet dos Valores” falando de “Smart Contracts”, programas que podem forçar um desfecho baseados em inputs “endógenos” – de dentro da própria rede –  e “exógenos”, providos por um “oráculo”. Cadastre-se em nossa lista de emails (à direita) para receber um aviso quando o post estiver publicado.

 

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